Centro Loyola de Fé

A menina cansada que espera o ônibus

Vejo uma paisagem densa

Cheia de gente, de seres humanos, a cidade, afinal,

 

De fumaça dos ônibus lotados

Do agressivo território do “Terminal”.

 

Os olhos cansados dos que trabalharam

São cheios de desencanto; parecem mortos,

E buscam o lar distante

Na rotina de mais um dia, incessante.

 

E a angústia dos olhos dos homens tem raiz

Uma raiz profunda e dura

Que é presença permanente em cada olhar

 

De perplexidade e indagação.

 

Esses olhos de tristeza e medo, indagadores,

Transparecem – insondáveis – que a paz e a alegria

Só se encontram além da linha do horizonte

Num lugar inatingível. Que elas são, de fato, impossíveis…

É, “não existe esta manhã que eu perseguia”…

 

E, assim, o “Terminal” parece ser um lugar edificado para o sofrimento,

Como se casas de barro, ferro e cimento,

Tivessem alma, sentimento, completude

Como as prisões e os orfanatos, onde a nota é o abandono…

Vejo nos olhos de todos, desesperança e sono…

 

Essa angústia cava, no homem, a sua imensidão

Ser profundo e difuso nos seus penares.

Há muitas penas e fadários no “Terminal”

Com seus cansaços, fadigas e falares.

 

Possuo esse desejo de encontrar os outros em mim

No despertar, para sempre, antigas dissonâncias.

Vejo a constância dos olhares dos que buscam o coletivo

Um lenitivo à dureza da vida – Mas o ônibus não vem!

 

Mas, há essa tarde morrendo no “Terminal”, opaca e triste.

 

Mais um dia que termina no mundo indiferente,

Em que vejo sombras que brincam na quase escuridão!

 

É o momento de fronteira que poucos vêem,

Pois também estão nas sombras, pequenos e pisados,

Como todos os humildes que abriram ruas e levantaram cidades

Na força bruta dos braços fortes e das mãos calejadas.

 

“É preciso ver e sentir a dor do irmão que sofre. Do irmão que, cotidianamente, enfrenta os embates da luta pela sobrevivência nesse mundo de caos e angústias latentes. Há uma dor, às vezes velada, nos olhos de nossos irmãos, nessa solidão na multidão que é o cenário de agora nas grandes cidades. E as crianças que crescem em meio a tudo isso, são aquelas em que resta, ainda, um pouco de esperança e crença num mundo melhor e de paz”.

Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado

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