Roteiro para a meditação silenciosa

Roteiro para a meditação silenciosa

Ir. Rita Kallabis MC

Motivação

A meditação silenciosa é um exercício espiritual, um momento de aprendizado. Aprendemos a deixar Deus se revelar sempre mais na nossa vida. Este aprendizado termina com nossa última expiração, quando nos entregamos totalmente a Ele e o veremos em sua Glória. Até então vale percorrer um caminho que nos mostre que “é preciso que ele cresça e eu diminua” (Jo, 3, 30.) e que nos leve a dizer com Paulo: “vivo, mas não mais eu vivo, mas Cristo vive em mim” (Gal 2,20).

Nesta forma de oração, nos abdicamos radicalmente do nosso próprio fazer e querer. Esperamos tudo de Deus. Nós mesmos nos dispomos a ouvi-lo, da maneira como Ele quer se fazer ouvir. Por isso, tudo o que quer se manifestar durante a meditação pode ser.  Não rejeitamos nada, não julgamos nada e, sobretudo, não nos prendemos a nada. Não queremos nada. Não queremos ver nada, mas tudo pode se mostrar. Não queremos sentimentos especiais, mas aceitamos todos os sentimentos que vêm. Não queremos pensar, mas tudo o que vem pode passar por nossa cabeça, sem darmos corda, pois a nossa única ação consiste num movimento de entregar tudo, tudo nas mãos de Deus.

Ao mantermos nossa atenção ligada à nossa respiração, às nossas mãos e, sobretudo, ao Nome sagrado, Deus se manifesta em nossas imagens, em nossos sentimentos, em nossos pensamentos e também em nosso corpo. É ELE quem sabe o que quer com aquilo.  Deixem-no fazer! Basta nos mantermos na sua presença e “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois nós não sabemos como rezar como convém: mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rom 8,26).

Mantendo regularidade em nosso exercício, este ato de nos entregar confiantes à presença de Deus em nós, com o tempo mudará nossa maneira de ver o mundo, como sentimos a vida e como nos posicionamos perante o mundo, perante a vida, as circunstâncias e as pessoas que dela fazem parte. Na profundidade do nosso ser, nosso Deus age, guia-nos, protege-nos e nos aconselha. Neste exercício da confiança em Deus cresceremos em segurança, confiança, fé, caridade e nos tornaremos mais um com Ele, com nossos irmãos e irmãs, e com toda a criação. No silêncio, nesta “nuvem do não saber”, Deus se mostra como nosso Deus, orienta e ordena nossas vidas em direção a Ele, em direção à vida plena.

Preparando o ambiente e nós mesmos

Você se propôs a fazer uma hora de silêncio, para acalmar sua mente, apaziguar um pouco sua vida ou, melhor ainda, para, durante uma hora, tirar-se do centro da sua atenção e deixar que Deus seja Deus para você. Muito bem. Todas as intenções são válidas. Agora você está aqui. Aproveite este tempo precioso. Doe-se tão inteiramente quanto lhe for possível. Nada tem que ser, tudo pode ser.

Prepare o lugar:

©      Escolha um lugar calmo, no qual você possa permanecer durante sua oração sem ser interrompido (a); escolher sempre o mesmo lugar ajuda na meditação.

©      Desligue o celular.

©      Determine quanto tempo você vai meditar e o meio de sinalizar o final deste intervalo, sem que você tenha que abrir os olhos a cada instante.

©      Encontre um assento apropriado e confortável que lhe possibilite abandonar seu corpo (ficar imóvel) durante o tempo a que se propõe: cadeira, banquinho ou almofada de meditar etc. O importante é manter a coluna ereta. Para isto, pernas e cóccix devem formar um tripé, com os joelhos um pouco mais baixo do que o cóccix. Mantenha os pés (cadeira) ou os joelhos (banquinho, almofada) firmes no chão. O nosso corpo é o nosso maior aliado durante a meditação. Portanto, não trave uma guerra contra ele, mas encontre uma posição na qual seu corpo lhe sustente, calmamente, durante o seu encontro com Deus.

©      Ajude a colocar uma imagem significativa para você na sua frente, ou uma vela, ou algo que lembre seus olhos de que você está na presença do seu Deus. Se você tiver costume de usá-lo, o incenso pode ajudar também. Não coloque música de tipo algum. Neste momento, você está aqui senão para escutar o seu Deus.

©      Antes de se sentar, pense um pouco no que vai fazer e mentalize os cinco passos da oração silenciosa (meditação): acalmar-se, situar-se, reverenciar, meditar e agradecer.

O momento da oração silenciosa:

 

1.Acalmar-se:

Fique em pé na frente do lugar onde meditará. Durante alguns instantes, tome consciência do seu corpo; deixe-o “chegar”. Às vezes, é bom mover-se um pouco: bata os calcanhares levemente contra o chão; depois, com os pés firmes no chão, chacoalhe todo o corpo; então, com o corpo solto, gire seu quadril e deixe o tronco e os ombros acompanhar o movimento; espiche-se e estique-se até sentir que seu corpo se sente bem. Acalme-se!

  1. Situar-se:

Ainda em pé, feche os olhos por um instante. Dê-se conta porque está aqui e com quem (você, outros meditantes, Deus). Mentalize porque você está aqui: eu estou aqui para ....

  1. Reverenciar:

Faça um gesto que expresse sua consciência da presença de Deus neste momento, neste lugar. Peça - em palavras ou num movimento do seu coração - pelo que veio.  Por exemplo: “Meu Deus, eu estou aqui com você. Estou aqui à sua disposição. Peço pela graça de receber estes 20 (40, 60) minutos de você e de me entregar em tuas mãos.”

Rezar um Pai Nosso (ou outra oração curta).

  1. Meditar

20 minutos - andar lentamente 5 minutos, 20 minutos etc.

O andar faz parte da meditação.

A meditação pode durar também 30 minutos, conforme a sua disposição para este tipo de oração.

Sente-se numa posição confortável, durante o tempo da sua meditação, sem precisar se mexer. Seja atencioso para com seu corpo neste momento. Ele ajudará o (a) a encontrar a posição certa. Mantenha o queixo levemente para baixo (para soltar os músculos da nuca).

Mantenha os ombros ‘abertos’ (não arcando as costas).

Feche levemente os olhos, ou mantenha-os semicerrados, olhando num vínculo de 45 graus para o chão, sem fitar em nada. Concentre-se na sua respiração, observando-a sem modificá-la. Mantenha as mãos juntas, encostadas no corpo sem dobrar os cotovelos. Às vezes, o apoio de um pequeno travesseiro ajuda. Sinta a energia concentrada nas palmas das suas mãos.

Deixe sua palavra sagrada fluir com muita leveza para dentro da sua expiração, em direção às mãos. Escute-a em você na sua expiração. Preste atenção no “eco” dela dentro de você; na inspiração. Fique totalmente absorvido nisso. Quando sua mente se distrair, não se reprima por isso. Volte suavemente para a palavra. A Palavra sagrada: sim; amem; Maria; Jesus Cristo; Maranata (venha, Espírito Santo). Depois de ter encontrado a sua palavra sagrada, use sempre a mesma. Se as distrações forem muito fortes, renove sua intenção. Pode ajudar abrir por um instante os olhos e ver o “centro” (a imagem, a vela). Depois, volte imediatamente, sem hesitar. Não importa o que acontecer, fique você com a respiração, com as mãos e com a palavra. Volte sempre, quantas vezes for necessário. Eis o exercício! Valem a sua intenção e a sua disposição. Ao ouvir o sinal que marca uma etapa da meditação, inspire profundamente e faça um gesto de reverência. Mantendo-se em meditação, levante-se e ande devagar por uns cinco minutos, ficando totalmente presente no ato de andar. Se meditar em grupo, espere todos retornarem a seus lugares. Então, faça outro gesto de reverência e sente-se novamente.

  1. Agradecer:

Ao ouvir o sinal que marca o final desta meditação, pare um pouco, sinta seu corpo, sinta como você está. Então, faça um gesto de reverência e agradeça a Deus, mais com o coração do que com palavras. Reze uma Ave-Maria (ou outra oração curta).

Não saia correndo da meditação. Volte devagar. Reflita um pouco sobre aquilo que aconteceu neste(s) momento(s) de meditação. A meditação foi boa se você conseguiu agradecer de coração por este tempo, independente do que tenha acontecido (ou não).

Avalie: você conseguiu agradecer? Se sim, na próxima vez, faça tudo novamente. Se não, veja porque não e, na próxima vez, faça melhor. Se puder, converse agora um pouco com seu Deus, como um amigo fala com outro amigo, uma amiga com uma amiga.